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terça-feira, 23 de junho de 2015

Navegar é preciso

Resultado de imagem para NAVEGARPoema de Fernando Pessoa

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: 


"Navegar é preciso; 
viver não é preciso."

Quero para mim o espírito desta frase, transformada
A forma para a casar com o que eu sou: Viver não
É necessário; o que é necessário é criar.

Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande, ainda que para isso
Tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso
Tenha de a perder como minha.

Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho
Na essência anímica do meu sangue o propósito
Impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
Para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

SUPERAÇÃO

Vista seu melhor sorriso, 
penteia as preocupações pro lado, 
ajeita o brilho no olhar, 
perfuma a alma de bom humor… 

Agarra a felicidade… 

E vai! O dia é todo seu!

terça-feira, 2 de junho de 2015

Caçador de mim - Milton Nascimento

Por tanto amor, por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz, manso ou feroz
Eu, caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar longe do meu lugar
Eu, caçador de mim

Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim

Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim

Caçador de Mim - Milton Nascimento




Individualidade da Alma


Cada alma vê o mundo de maneira diferente.

A vida, quando vivida, torna-se para todos um bailado de verdades e mentiras, factos e sonhos. 

E é neste mar de antíteses que todo o ser respira, avistando inevitavelmente um horizonte e sendo ele próprio o horizonte de si mesmo.

Sentimentos



A mudança é a lei da vida.
E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro.

John Kennedy

quarta-feira, 27 de maio de 2015

domingo, 3 de maio de 2015

Mudanças da Vida

O GALO QUE CANTAVA PARA FAZER O SOL NASCER

Era uma vez um galo que acordava bem cedo todas as manhãs e dizia para a bicharada do galinheiro:

__ Vou cantar para fazer o sol nascer...

Ato contínuo, subia até o alto do telhado, estufava o peito, olhava para o nascente, cantava e ficava esperando...

Dali a pouco a bola vermelha começava a aparecer, até que se mostrava toda, acima alas montanhas, iluminando tudo. O galo se voltava, orgulhoso, para os bichos e dizia:

__ Eu não falei?

E todos ficavam boquiabertos e respeitosos ante poder tão extraordinário conferido ao galo: cantar pra fazer o sol nascer. Ninguém duvidava. Tinha sido sempre assim. Também o galo-pai cantara para fazer o sol nascer, e o galo-avô...

Tal poder extraordinário provocava as mais variadas reações. Primeiro, os próprios galos não estavam de acordo. E isto porque não havia um galo só. Quando a cantoria começava, de madrugada, ela ia se repetindo pelos vales e montanhas. Em cada galinheiro havia um galo que pensara a mesma coisa e julgava todos os outros uns impostores invejosos. Além do que não havia acordo sobre a partitura certa para fazer o sol nascer. Cada um dizia que a única verdadeira era a sua, todas as outras não passando de falsificações e heresias. Em cada galinheiro imperava o terror. Os galos jovens tinham de aprender a cantar do jeitinho do galo velho, e se houvesse algum que desafinasse ou trocasse bemóis por sustenidos, era imediatamente punido. Por vezes, a punição era um ano de proibição de cantar. Sendo mais grave o desafino, ameaçava-se com o caldeirão de canja do fazendeiro, fervendo sobre o fogão de lenha.

Depois, havia grande ansiedade entre os moradores do galinheiro. E se galo ficasse rouco? E se esquecesse da partitura? Quem cantaria para fazer nascer o sol? O dia não amanheceria. E por causa disso cuidavam do galo com o major cuidado. Ele, sabendo disso, exigia um tratamento de primeira.

E aconteceu, como era inevitável, que certa madrugada o galo perdeu a hora e não cantou para fazer o sol nascer. Mas o sol nasceu sem o seu canto.

O galo acordou com o rebuliço no galinheiro. Todos falavam ao mesmo tempo.

__ O sol nasceu sem o galo... O sol nasceu sem o galo...

O pobre galo não podia acreditar naquilo que os seus olhos viam: a enorme bola vermelha, lá no alto da montanha. Como era possível?Teve um ataque de depressão ao perceber que o seu canto não era tão poderoso como sempre pensara. E a vergonha era grande!

Passou-se muito tempo sem que se ouvisse o cantar do galo de deprimido e humilhado que ele estava. Até que numa bela manhã, o galinheiro foi novamente despertado com o canto do galo. Lá estava ele, no alto do telhado, peito estufado...

__ Está cantando pra fazer o sol nascer, perguntou o peru em meio a uma gargalhada.

__ Não, respondeu o galo.




Antes eu cantava pra fazer o sol nascer. Hoje eu canto porque o dia nasce!



(ALVES, Rubem. ESTÓRIAS DE BICHOS, Adaptação ilustração 
Aldemir Martins)

Acomodações

Eu sei que a gente se acostuma. 
Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. 

E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.

A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto.

A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.

A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Por Marina Colassanti

terça-feira, 7 de abril de 2015

Leveza da LUZ

Para experimentar leveza considere-se apenas luz. 

Sem peso e além da atração da matéria a alma pode voar e tocar a liberdade verdadeira. 

Assim torna-se fácil ficar acima dos problemas e manter a mente clara, perspicaz e livre de escravidões.

 A descoberta da sua própria leveza atrai e eleva os outros. 

Sua boa companhia removerá as preocupações da mente e o peso do coração deles.

Quando o mergulhador necessita voltar rapidamente à superfície ele solta o seu lastro. 

Da mesma forma, identifique e abandone definitivamente todos os pesos que estão impedindo o seu vôo. 

Liberte a mente dos antigos padrões e permita a descoberta de novos paradigmas. 

Mantenha-se acima dos problemas e preocupações que tendem a puxar você para o chão, outra vez. 

Seja leve, desafie a lei da gravidade.

Extraído do livro "A Paz de Todo Dia - volume 1”, Editora Brahma Kumaris 

Tudo de Bom


quinta-feira, 26 de março de 2015

Momentos da Vida

Ser feliz não é ter uma vida perfeita. 
Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. 
Usar as perdas para refinar a paciência. 
Usar as falhas para esculpir a serenidade. 
Usar a dor para lapidar o prazer. 
Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.

"Dez Leis Para Ser Feliz", Augusto Cury, Sextante.



sexta-feira, 6 de março de 2015

Ventanias da Vida




Uma vida sem sustos. 
É o que desejo pra mim. 
Não estou dizendo uma vida sem decepções, frustrações ou êxtases: sem sustos apenas. 
Quero aceitar a potência dos meus sentimentos e não ficar embaraçada diante de reações incomuns. 
Poder receber uma ventania de pé, mesmo que ela me desloque de onde eu estava. 
De pé, mesmo com medo.

Martha Medeiros

sábado, 31 de janeiro de 2015

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Semear Otimismo

Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz 
e justiça. Digo o que penso, com esperança.  Penso no que faço, com fé.  Faço o que devo fazer, com amor. 
Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.  Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.

Cora Coralina

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Maturidade da Alma

A alma com essa virtude terá a habilidade de conservar e não desperdiçar poder espiritual. 

Ela não cairá em extroversão, mas permanecerá introspectiva, estocando energia. 

Fazendo isso, ela será capaz de trazer elevação aos outros em vez de emaranhar-se na tendência de apenas “tomar”. 

Tais pessoas recebem o título de grandes doadoras.



Uma alma madura terá todos os relacionamentos com o Pai e haverá grande firmeza e força no relacionamento de companheiro. 
“Eu nunca estou sozinho, Ele sempre estará junto de mim!” 

Onde há essa grande fé Nele existe também o entendimento de que essa peça do mundo é benéfica. 

Maturidade na alma traz a percepção de que, seja qual for a cena que esteja surgindo no Drama, ela é a correta para o seu crescimento, auto-realização e profundo relacionamento com Deus. Contentamento também está imerso nisso.

Maturidade traz completo desapego de atmosfera negativa, vibrações, palavras ou atividades dos outros. 

Ao contrário, a alma transforma a atmosfera através do poder do silêncio e não é atraída ou afetada por cenas mundanas. Uma alma madura tem auto-respeito e facilmente exercitará a flexibilidade e o poder de moldar-se e acomodar-se. Ela se adaptará confortavelmente em todas as situações e em todos os relacionamentos, lokik e alokik. 

Maturidade é realeza e autodisciplina.

Maturidade espiritual aumenta o valor da alma. 

Maturidade espiritual significa que a alma levará uma vida de equilíbrio entre o auto-serviço e o serviço para os outros. Tais almas são muito amadas por Deus.

domingo, 20 de julho de 2014

Aprenda a Amar

Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar: aprenda a fazer bonito o seu amor. Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito. Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito. Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender.

Tenho visto muito amor por aí, Amores mesmo, bravios, gigantescos, descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva,mas esbarram na dificuldade de se tornar bonito. Apenas isso: bonitos,belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção. Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.

Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais de repente se percebeu ameaçados apenas e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram; exigem; rotinizam; descuidam; reclamam; deixam de compreender;necessitam mais do que oferecem; precisam mais do que atendem; enchem-se de razões. Sim, de razões. Ter razão é o maior perigo no amor.
Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reinvindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão. Nem queira. Ter razão é um perigo: em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça mas na hora errada. Amar bonito é saber a hora de ter razão.

Ponha a mão na consciência. Você tem certeza que está fazendo o seu amor bonito?
De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro, a maior beleza possível? Talvez não. Cheio ou cheia de razões, você espera do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer.
Quem espera mais do que isso sofre, e sofrendo deixa de amar bonito. Sofrendo, deixa de ser alegre, igual criança.E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito.


Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia. Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando e olhe alegre.
Recomendam-se: encabulamentos; ser pego em flagrante gostando; não se cansar de olhar, e olhar; não atrapalhar a convivência com teorizações; adiar sempre, se possível com beijos, “aquela conversa importante que precisamos ter”, arquivar se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida. Para quem ama toda atenção é sempre pouca. Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível.Quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter. 




Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine, cheia de brinquedos dos nossos sonhos) :não teorize sobre o amor, ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora.

Não tenha mêdo exatamente de tudo o que você teme, como: a sinceridade;não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito); abrir o coração;contar a verdade do tamanho do amor que sente.
Jogue pro alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabidamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser. Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs. Falando besteiras, mas criando sempre. Gaguejando flores. Sentindo o coração bater como no tempo
do Natal infantil. Revivendo os carinhos que instruiu em criança. Sem mêdo de dizer, eu quero, eu gosto, eu estou com vontade.

Talvez aí você consiga fazer o seu amor bonito, ou fazer bonito o seu amor,ou bonitar fazendo seu amor, ou amar fazendo o seu amor bonito(a ordem das frases não altera o produto), sempre que ele seja a mais verdadeira expressão de tudo o que você é e nunca, deixaram, conseguiu, soube, pôde, foi possível, ser.

Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe mais com ele e suas definições. Cuide agora da forma. Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide do carinho. Cuide de você. Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.


Artur da Távola

Homenagem Rubem Alves

Nosso adeus ao escritor e educador Rubem Alves .
"Amar é ter um pássaro pousado no dedo.
Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que,
a qualquer momento, ele pode voar”
(Rubem Alves)

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Humanos e anjos

Humanos justificam, anjos reconsideram;

Humanos dependem, anjos aceitam;

Humanos diagnosticam, anjos curam;

Humanos criticam, anjos tem empatia;

Humanos amam, anjos protegem;

Humanos pensam, anjos sentem;

Humanos especulam, anjos realizam;

Humanos escutam, anjos prestam atenção;

Humanos falam, anjos não.



Anthony Strano